Fidju Mari@ ku Dino D’Santiago

About Fidju Mari@ ku Dino D’Santiago

Music: prétu

Lyrics: prétu and Dino d’Santiago

Recorded at TchadaElektro

Mix by prétu and Beatladen

Master Beatladen

Directed by prétu and Mónica de Miranda

Art Direction: prétu and Mónica de Miranda

Director of Photography: Rui Sérgio Afonso

Produced by Hangar Music

Production Director: Marcela Canadas

Production Assistant: Ana de Almeida, Fernando Lopes

Editing and Post Production: Rui Sérgio Afonso @TODOS

Assistant of photography: Artur Monteiro

Colour: Xavier Franganito @TODOS

Loaders: Antonio Castelo e Geraldo Monteiro

Assistants: Luca Palermo, Giuliana Meduri, Roberta Riefolo, Roberta Grosso, Elpida Yiemenetzi, Katerina Paisi

Design: Hangar

Photography: Monica de Miranda

Mystic Costumes Designer costumes: Mónica de Miranda Stúdio

Costume coordinator : Ana de Almeida

Costume Collaborations: Alesa Herero, Naára Saturnino – Kahumbi, Outra Face da Lua, Romana Mussage – Royal Skuare

Advisory: Raquel Levy, Zia Soares, Grupo de Alfabetização de Mulheres da Quinta da Princesa

Featuring: Sara Sá, Yara de Miranda Milengo, Nadine Rosário, Naára Saturnino, Alesa Herero, Gil Semedo, Miriam de Sá, Marie Fall, Inês Fall Reais, Ricardo Monteiro, Lianny Oliveira, Lionne Oliveira, Laura Gonçalves.

Thanks to Leopold Banchini Architects, Luca Pronzato, Fred e Fred @TODOSOutra Face da Lua, Romana Mussasy @Royal Skuare,  Octávio Gonçalves e equipa, Alexandra Gaspar (DMC/DAC), Junta de Freguesia de São Vicente,AnilaVera, Casa Independente, Miguel Matos Loureiro

WATERS

About Waters

Waters (Pa Nu Poi Koraji) feat Lowrasta

Musica prétu
Letra prétu e Lowrasta
Gravado no TchadaElektro
Mix e Master Beatladen

Vídeo

Realizado por prétu e Miguel Almeida (MDA Colors)

Co-produção de Peles Negras Mascaras Negras e Hangar Music

Direcção de Fotografia, Edição e Grading Miguel Almeida (MDA Colors)

Design Gráfico e Fotografia: Monica Miranda Studio

Dançarinos: Mauro Pires (Walkin Dance), Vagner Krump (Lion Fame), Bboy Valdo (Oriente Brother Wood) e Vallo Fako.

Com a participação de Gil Semedo, Fátima Pina, Manuel Nascimento Santos, Flávio Soares, Laura Levy, Marie Fall, Isabel Pataca and Henrique Tavares

Agradecimentos a Cláudia Semedo, Companhia de Actores e todo o staff do Teatro Municipal Amelia Rey Colaço- Algés.

Waters reflete sobre a exploração dos corpos negros na nossa sociedade; centra-se na forma como estes ainda são tratados como gado ou mercadoria. Seja, uma empregada limpeza ou do trabalho doméstico, um empregado da construção civil, um atleta ou um artista – é-se um corpo e não uma vida. Esses corpos descartáveis podem ser atirados fora, como nos navios negreiros, mortos ou afogados se não se encaixarem no propósito dessa sociedade capitalista e racista. Em outras palavras, Waters estuda como a cultura, o desporto, construção, o lazer, a prisão e outras indústrias vivem ainda da continuação da escravatura, e como os corpos negros ainda estão acorrentados a essas indústrias.

Recuperando a ideia de “frutos estranhos”, Waters aponta para os “peixes estranhos” – os milhões de corpos perdidos no comércio de escravos do Atlântico, os corpos recentemente perdidos para o Katrina, ou os que morrem diariamente no Mediterrâneo. Este fluxo de corpos negros trazidos pelas marés é produto da exploração e pilhagem da África. Waters também aponta para as lágrimas de mulheres e homens cujos filhos e filhas são constantemente agredidos e mortos pela polícia, como se as nossas vidas não tivessem valor. É como se uma alma não habitasse os nossos corpos – que foi (e talvez ainda seja) a crença construída pelos europeus para justificar a nossa escravidão.

Todas essas ideias são sumarizadas com as palavras “um omi branku mata um omi prétu so pamodi omi prétu era pretu mê” (um homem branco matou um negro só porque esse homem era negro), samplado de Bakandeza (Ignorância), uma canção do artista cabo-verdiano Princezito, uma das maiores influências de prétu.

Uma segunda ideia é transmitida pelas palavras “ê pa nu djunta mon, pa nu poi koraji” (precisamos de juntar as mãos e ser corajosos), que prétu samplou de Speransa 2004 (hope 2004), música do artista cabo-verdiano Vadú. Esta música fala de como a chuva traz esperança aos pequenos agricultores da ilha deserta de Cabo Verde, que dão as mãos com bravura para trabalhar a terra, ou morrem de fome dadas as secas constantes. É também uma alusão a uma passagem do romance Famintos de Luís Romano, sobre as fomes da década de 40 na ilha se Santo Antão (de onde prétu é originário), em que um dos personagens incentiva uma comunidade quase moribunda de tanta fraqueza, a somar a réstias de força de cada uma e cada uma numa força coletiva maior no sentido de combater as injustiças do Morgado e do Capataz que servindo-se da “lei dos homens” e da “lei de deus” fazem da terra a glória de uns e o inferno de muitos.

O sampling é uma grande parte do processo criativo de prétu e, na maioria das vezes, um mote para suas letras. A maior parte do que ele sampla vem da música africana. Alguns dos discos encontrou junto da família, outros comprou, e constituem uma grande parte das memórias da sua infância. Outras inspirações são discos que ele encontrou recentemente, no seu processo de diggin à procura de músicos africanos engajados em mudança social e política. A estes samples, acrescenta a sua programação, experimentando sons sem qualquer género em mente.

Para este single prétu convidou o rapper Lowrasta, conhecido pelas suas barras sábias e afiadas.

O conceito do vídeo foi desenvolvido por prétu e seu coletivo de teatro Peles Negras Mascaras Negras. Prétu convidou o diretor Miguel Almeida (MDA Colors) para co-dirigir a peça. Foi uma co-produção de Peles Negras Mascaras Negras e Hangar Music. O conceito gráfico foi desenvolvido com Mónica Miranda Studio.

Em vez de trabalhar com atores ou modelos, optou por trabalhar com uma empregada de limpeza, um trabalhador da construção civil, uma padeira, uma operadora de loja, estudantes, atletas e outros que fazem parte do seu circulo pessoal. Essas pessoas invisíveis não aparecem nas narrativas portuguesas de sucesso, mas são exploradas diariamente para manter esta máquina. Ele também trabalhou com um coletivo negro de dançarinos para representar a opressão dos corpos negros e o processo de libertação desses corpos de suas correntes.