Waters, 2019

SINGLE

(prétu)
Não quero mais ouvir que é certo
Viver nesta linha que deus escreveu torta/
Morrer à nascença, nascer com a sentença,
de quem pensa, que a minha vida não importa/
Meu corpo ainda é mercadoria,
que esta economia trafica, importa/
Gado, amontoado, no porão, do navio negreiro
que a globalizado transporta/
Cadáver inchado, achado
Afogado, devoluto nos banhos
que a Europa tem à porta/
Cadáver linchado, deixado, pendurado,
os frutos estranhos que a América não corta/

Frutos estranhos que lhes caem aos pés/
Peixes estranhos chegam com a mares/

São os frutos, do ódio e Ignorância
Que cria distância entre os povos do globo/

São os frutos da gula e ganância
Que regula à distância os destinos do globo/

Marés de bombas e balas/
De quem tomba ou faz malas
Pa fugir do roubo/

As marés do medo e ódio
A cada episódio
De Racismo sem cobro/

(Lowrasta)
morto ou vivo se não sou lucrativo,
não sou apelativo, motivo de troça/
mudaram os tempos, mudaram as leis,
de certa forma ainda estou nessa roça/
querem que eu viva, de forma passiva
em carne viva, ferida me coça,
cidadania, pele não é branca,
direita espanca até que o sangue faça poça/

corrente no corpo, tiro no corpo,
chip no corpo, nossa carne não é nossa/
numero de serie, código de barras,
identidade, nossa vida não é nossa/
constrói preto, corre preto, morre preto
tua vida não importa/
só a cor importa, ainda estas à porta/
direitos humanos de negros derrubados pelo Katrina/
reduzir o povo negro a todo o custo é a doutrina/
afogaram a nossa cor, mediterrâneo tem novo odor/
perfumado com a dor que alimenta o consumidor

sample princezito
Um omi branku mata um omi prétu
So pamodi omi prétu era prétu mê

Sample Vadú
Pa nu poi koraji

(prétu)
Minha raça julgada na praça,
pelo ódio da massa que a TV exorta/
Minha raça quer faça não faça,
é carne pra caça, que se assa não importa/
Minha raça se não levanta uma taça
não dança devassa, então não importa
Minha raça se não lava, não passa
não carrega massa, então não importa/

É só um corpo que naufraga
um corpo que se afoga/
nas vagas da vida
Que a Europa Revoga/
Nas balas da bofia
que a América advoga/
nas celas em voga
Onde a Líbia Nos joga/
Um corpo que cai, saúde decai
No menu do Mac/ na chicken and fry/
Com o sal, a gordura, da American pie/
Sem 25 de Abril, nem 1o de Maio,
Cativo da ASAE/ cativo do MAI/
Indígena no SEF/ Indígena no CNAI,

Meu corpo sufoca
Meu corpo s’inunda/
No fumo dum químico
Duma água imunda/
Levada pra rua onde a mágoa abunda/
mais rápido na rua a morte se difunda/
Em silêncio, invisível entre barafunda/
Em silêncio invisível meu corpo se afunda/

Ficha Técnica
Music prétu
Lyrics prétu and Lowrasta
Mix and Master Beatladen

Vídeo
Directed by prétu and Miguel Almeida (MDA Colors)
Co-Produced by Peles Negras Mascaras Negras and Hangar Music
Direction of Photography and Post-productionMiguel Almeida (MDA Colors)
Dancers: Mauro Pires (Walkin Dance), Vagner Krump (Lion Fame), Bboy Valdo (Oriente Brother Wood) and Vallo Fako.
Design and Making Of Photography: Monica Miranda Studio
Featuring Gil Semedo, Fátima Pina, Manuel Nascimento Santos, Flávio Soares, Laura Levy, Marie Fall, Isabel Pataca and Henrique Tavares
Thanks to Cláudia Semedo, Companhia de Actores and all staff on Teatro Municipal Amelia Rey Colaço- Algés and Monica Miranda Studio.